
Eis que no dia de meu casamento, tenho a gradável surprêsa de receber a visita de dois amigos da época de ginásio - nomenclatura utilizada outrora na área da educação, que sinificaria hoje o equivalente ao ensino fundamental por volta talvez dos onze aos catorze anos de idade -: Marcelo e Zé Carlos. Apareceram durante o dia em casa de meus pais para me darem um abraço, pelo meu enlace e aproveitaram também para levar um presente, que eu, desastrosamente - como sempre, aliás - quase deixei ir ao chão e os dois quase me mataram, evidentemente por ser algo que após tal acidente não teria mais serventia alguma. Foi uma tarde muito importante por se tratar de pessoas as quais eu não via há muito tempo e que atenciosamente atenderam à um convite que fôra enviado por meus pais, já que na época eu trabalhava fora de São Paulo e não tinha condições de convidar à todos pessoalmente. Mais tarde na igreja, eu conseguiria visualizar o Zé , mas não o Marcelo e é importante que ele saiba que eu entendo que deva ter havido algum motivo para ele não ter comparecido à cerimonia.
Infelizmente, nunca mais tive a oportunidade de me encontrar com o Zé Carlos, mas com o passar dos anos, tive o privilégio de estar com o Marcelo em duas ocasiões, como ele bem lembrou, no show do Paul McCartney e no aniversário da minha filha mais velha, que completava um ano de idade.
De fato, como o próprio Marcelo comentou, é pouco para uma amizade tão intensa no tempo de escola. Uma amizade que incluía idas ao estádio para ver o São Paulo jogar; tardes montando trabalhos escolares que apresentávamos com gôsto durante as aulas; ensaios para peças de teatro que faziam parte de currículo escolar; jogos de futebol no meio da rua ou em campinhos espalhados pela região onde morávamos ou ainda em praçinhas que haviam aos montes na época; sem falar nas gavações de humor que fazíamos, inspirados no "Show de Rádio", programa da rádio Jovem Pan daquela época em que imitávamos personalidades e criávamos nossos próprios personagens para divertir à nós mesmos e passar o tempo da melhor forma, nos cronfraternizando. Confesso hoje, inclusive, que havia de minha parte, uma paixão maior por aquelas gravações, que só fui entender mais tarde. Nós utilizávamos um "gravador de mão" - não peçam para explicar o que isto exatamente significa -, um aparelho de som onde tocávamos a música que seria utilizada como trilha sonora enquanto destrinchávamos nossos hilariantes textos e um microfone que vinha acoplado ao gravador de mão. Todas as sextas-feiras, nos reuníamos em minha casa e fazíamos estas viagens humorísticas: éramos inicialmente eu, o Marcelo e o Humberto e depois juntou-se a nós, o Turco. Eu adorava aquilo e esperava cada sexta-feira como quem espera um presente no dia das crianças, com ansiedade. Para mim, era algo mágico o fato de podermos transformar qualquer assunto em deboche, utilizando da criatividade de cada um. Mas com o tempo, percebia que eu estava sendo um tanto chato com os outros que não estavam na mesma sintonia. A impressão que eu tinha, depois de um certo tempo, é que aquela "brincadeira" era importante apenas para mim, pois as vezes, eu tinha de insistir para a molecada aparecer em casa para gravarmos mais um pouco. Sentia-me um chato tendo de chamá-los sempre e muitas vezes achava que estava sozinho naquela vontade, até que um dia, eles foram categóricos em me dizer que não queriam mais saber daquilo. Fiquei triste na época, mas fui entender essa tristeza depois de muito tempo quando me vi totalmente envolvido na carreira de radialista e foi quando tudo clareou para mim: eu não queria parar aquelas gravações, simplesmente porque estava na minha alma que eu adorava um microfone, mas não tinha maturidade suficiente para perceber que era um caminho apenas meu...
Hoje olho para trás e evidentemente sinto uma saudade imensa de nossa união, o que me leva a pensar em um motivo para não voltar a ver aquelas pessoas, pois, por mais que nossa vidas tenham tomados diferentes rumos, nada nos impede de nos reunirmos e recomeçarmos de onde paramos... afinal, quem fez a loucura de ir comigo à Taiaçupeba, pode muito bem fazer qualquer coisa!!
Então, como sempre, encho os pulmões e grito: PARÔÔÔÔÔ, COMEÇÔÔÔÔ!!!!!!
P.S.: fiquei emocionado ao ler uma mensagem do Marcelo no Facebook e resolvi responder através deste blog que tem exatamente a finalidade de falar sobre Queridos Amigos.






